As empresas se adaptam para acolher as diferenças que vêm junto com as novas gerações de profissionais

AJUDE O PROJETO A LEVAR CONHECIMENTO PARA AS PESSOAS...COMPARTILHE NA SUA REDE SOCIAL PREFERIDA.

Estudante de marketing e estagiário da Shell, Marco Doti, de 21 anos, se acha amigo do chefe e não adapta seu discurso para se dirigir aos superiores. “Às vezes falo com meu chefe como falo com meus amigos. Não sei se ele gosta muito, mas, se estou lá até hoje [ele está na Shell há um ano], acredito que ele admire algumas qualidades em mim”, diz. Marco ganhou moral na empresa ao conseguir de graça uma remessa de material que custaria 20 000 reais. “Todos diziam que eu não conseguiria. Mas agendei a reunião e intimei meu chefe a ir comigo.Não sei por que as pessoas têm medo de ser verdadeiras com os chefes.” A história traduz uma situação que acontece hoje nas empresas. Enquanto os líderes — boa parte da Geração X (veja o quadro) e baby boomers — esperam uma atitude de certa reverência dos subordinados, quem está abaixo nem sempre associa cargo a autoridade. Uma pesquisa feita pela Companhia de Talentos, consultoria de São Paulo especializada em programas de trainees, mostrou que 29% dos jovens esperam que seu gestor seja um profi ssional em que as pessoas se espelhem.

“Eles vêm autoridade em quem respeitam profi ssionalmente”, diz o consultor Rolando Pellicia, do Hay Group, de gestão de pessoas, em São Paulo. Uma das características da turma que está chegando às empresas é que leva para o trabalho o comportamento a que está acostumada na casa dos pais e nem sempre tem a dimensão das consequências de seus erros. “Como estão acostumadas ao videogame, essas pessoas tendem a ver seus erros como algo que podem reverter facilmente”, diz o professor Moisés Balassiano, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. Assim, o relacionamento com os chefes acaba sendo parecido. “O medo que sentíamos dos nossos chefes tinha a ver com o medo de perder o emprego”, diz Rolando. Como esses jovens não fazem questão de fazer carreira em uma grande empresa, esse medo sumiu. Mas o fato é que as empresas precisam desses jovens.

Ao mesmo tempo eles são rápidos e inovadores. “Não podemos abrir mão deles, mas temos que orientar para que se adaptem ao ambiente”, diz Arlete Soares, gerente de recursos humanos da indústria de alimentos Wickbold, de São Paulo. Por isso as empresas estão criando programas para lidar com os confl itos de gerações. “Os gestores mais velhos acham que eles não têm humildade, e isso difi culta o diálogo”, diz Sofi a Esteves, diretora da Companhia de Talentos. Muitas empresas estão treinando seus gestores para isso, como é o caso da Nextel e da Serasa Experian, ambas de São Paulo.

A IBM, mais uma da lista de empresas que está implantando mudanças, criou um serviço para atender à ansiedade dos pais dos jovens que fazem parte de seu quadro. Sim, os pais. Como moram ainda na casa onde cresceram, esses jovens carregam para a empresa algumas características do relacionamento familiar. “Um dos candidatos ao estágio trouxe a mãe junto no dia da seleção”, diz Américo Figueiredo, diretor de RH da empresa de telefonia Nextel. Em dez anos, a parcela de profi ssionais com menos de 30 anos na empresa subiu de 31% para 67%.

Esses jovens cresceram conectados às redes sociais, lugares democráticos, onde resposta rápida é questão de sobrevivência. Como acontece na internet, eles querem rapidez também nas movimentações e levam isso para a carreira, mas acabam passando uma imagem de arrogância e impaciência. “E, se a coisa não sai como querem, pedem demissão”, diz Elcio Trajano Jr., gerente executivo de recursos humanos da Serasa Experian, empresa de crédito. A companhia criou um programa com 15 profi ssionais para dar aconselhamento aos gestores e está colocando seus jovens para liderar projetos.

CONECTADOS

No momento da liderança essa impaciência também aparece. “Eles não são muito bons no feedback porque não têm paciência para conversas longas. Falam na mesma linguagem do MSN”, diz Rolando. Aliás, o acesso a essas formas de comunicação onli ne, como os programas de mensagens instantâneas, é algo que as empresas também vêm mudando.

A IBM, que tem 40% de seus funcionários com até 29 anos, muitos em cargos de média chefi a, liberou o uso de sites como Twitter, Facebook e MSN. “Essa geração busca colaboração para o desenvolvimento de seu trabalho”, diz o diretor de RH da IBM, Osvaldo Nascimento, para quem o estilo da Geração Y traz vantagens para os negócios. Allyson Faria, de 26 anos, líder de operações no setor fi nanceiro da empresa, usa as mensagens instantâneas para se comunicar até mesmo com os executivos.

Ele ajudou a dar uma contribuição importante quando um programa de Satisfação do Cliente foi implantando há um ano. “Apontei adaptações para que funcionasse localmente”, diz Allyson.

Entenda as gerações

A consultora Luciana Guedes, da Trajeto RH, explica que o comportamento de cada geração depende do momento socioeconômico em que ela se desenvolve.
Confira no quadro:

VETERANOS NASCIDOS ENTRE 1922 e 1945

Cresceram entre duas guerras e foram educados para a disciplina e o respeito às hierarquias.

• No trabalho, valorizam o comprometimento e a lealdade.

• Investem de forma conservadora.

• Como funcionários, sabem aguardar para receber a recompensa pelo trabalho.

BABY BOOMERS NASCIDOS ENTRE 1945 e 1965

Viveram uma fase de engajamento contra ditaduras e poderes tiranos.

• Workaholics, valorizam o status e o crescimento profi ssional. Formam alianças para atingir seus objetivos.

• São responsáveis pelo estilo de vida que se tem hoje, baseado em conquistas materiais.

GERAÇÃO X NASCIDOS ENTRE 1965 e 1977

Céticos em relação à política, refl etem as frustrações da geração anterior.

• Gostam de alguma informalidade no trabalho e buscam qualidade de vida e equilíbrio.

• Carreira de 20 anos na mesma empresa não é com eles.

GERAÇÃO Y NASCIDOS DE 1977 EM DIANTE

• Comprometidos em mudar o mundo na esfera ecológica, se engajam em trabalhos voluntários.

• São informais e imediatistas.

• Tecnologia e diversidade são naturais. Usam recursos online.

• A falta de cerimônia com os pais leva à indiferença com a autoridade no trabalho.

Fonte Você S/A

    EI LEITOR PARTICIPE DEIXANDO O SEU COMENTÁRIO LOGO ABAIXO, QUEREMOS SABER A SUA OPINIÃO! POIS ELA É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS.
  •  Facebook
  •  Twitter
  •  Google+
  •  Stumble
  •  Digg
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

Marcadores